Professor, historiador, documentalista e activista social.

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domingo, 8 de maio de 2016

Os Estados Mwenemutapa
Por volta de 1450, o Grande Zimbabwe foi abandonado pela maior parte dos seus habitantes. O Estado de Muenemutapa é formado a partir de um movimento migratório do Grande Zimbabwe, dos povos Caranga-Chona, para a região do vale do Zambeze, na sequência da invasão e da conquista por exércitos dirigidos por Nhatsimba Mutota, ocorrida por volta de 1440-1450. Desenvolveu-se entre, os rios Mazoe e Luia, o centro de um novo Estado chefiado pela dinastia dos Muenemutapa, que dominou e subordinou a população pré-existente. A capital do império era Dande.
O grosso dos efectivos do grupo invasor deu origem no vale do Zambeze a uma etnia denominada pelos povos locais por Makorecore. Constituíram excepção da subordinação os Tonga, matrilineares porque não falavam a língua Chona. RECAMA (2010:22)

O núcleo central que a dinastia governava directamente entre, os rios Mazoe e Luia, era circundado por uma cintura de Estados Vassalos cujas classes dominantes constituídas por parentes dos Muenemutapas e opor estes a rebelar-se quando o poder central enfraquecia. Entre os Estados vassalos do Estado de Muenemutapa encontravam-se Sedanda, Quissanga, Quiteve, Manica, Bárrué e Maungwe. Os seus chefes pagavam tributo ao Muenemutapa reinante e eram confirmados por este quando subiam ao poder.
Os Muenemutapas dominaram a sul do Zambeze até finais do século XVII, perdendo depois a sua posição em favor da dinastia dos Changamire Dombo, cujo papel no levante armado contra a penetração mercantil portuguesa.
Nos seus traços mais gerais, a sociedade Chona caracterizava-se pela coabitação no seu seio de dois níveis sócio-económicos distintos: de um lado a comunidade aldeã, designada por Musha ou Incube, relativamente autárcica e estruturada pelas relações de parentesco; do outro lado a aristocracia dominante (que se confundia com a família que reinava e esta com o Estado), que controlava o comércio a longa distância e dirigindo a vida das comunidades.

A comunidade aldeã ( Actividades económicas )
A actividade produtiva essencial das comunidades aldeãs Chona baseava-se na agricultura. Os principais cereais cultivados eram aMapira, a mexoeira, o naxemim e o milho. Ao longo dos rios e sobretudo na zona costeira e solos aluvionares, cultivava-se oarroz, usualmente para venda. O nível das forças produtivas ainda era baixo. Nos trabalhos agrícolas utilizavam a enxada de cabo curto e a agricultura praticava-se sobre queimadas. A pecuária, a pesca, a caça, bem como o artesanato surgiram como apêndices complementares da agricultura, submetendo-se aos imperativos do ciclo agrícola.
O trabalho nas minas aparecia como imposição do exterior (da aristocracia dominante ou de comerciantes estrangeiros), não fazendo parte integrante da actividade produtiva normal.
Com o decorrer do tempo, a penetração árabo-persa e portuguesa trouxe novas necessidades (bens de prestígio), as quais voluntária ou coercivamente levavam a população das comunidades a praticar a mineração do ouro em escala considerável. O ouro localizava-se nas regiões como: Chidima, Dande, Butua e Manica
As Mushas que integravam no geral uma família no sentido lato ou um grupo de famílias com o mesmo antepassado, o muri, viviam num regime de auto-subsistência e estavam fundamentalmente orientadas para a produção de valores de uso. Todas as relações entre os membros da sociedade Chona, ao nível das Mushas, eram fundadas no parentesco. Acima das Mushas, como entidade superior erguia-se a aristocracia dominante.

A religião e o poder Ideológico
Segundo Bica Ismael (2010:77), a religião e o poder do culto dos antepassados continuaram a ser a base ideológica do império. Para o exercício do culto existiam existiam os Swikiros, que afirmam os antepassados e estabelecer a ligação entre os seres vivos e os mortos.Viviam associados a classe dirigente e eram um dos suportes de seu poder  

Aristocracia dominante

Na sociedade Chona, o Estado era personificado na pessoa do soberano, o Mambo, que devia desligar-se da sua origem terrena para conferir à realeza, um carácter sagrado. Tornava-se assim o representante supremo de todas as comunidades, o símbolo da unidade de interesses dessas comunidades. Para quebrar todas as ligações com a sua linhagem, e se tornar representante de toda a sociedade, indiferente às rivalidades familiares, o Mambo cometia no momento da sua entronização, o incesto com uma parente próxima, infringindo desse modo o mais absoluto interdito. Daí que a principal mulher do Monomotapa era a sua própria irmã.
A autoridade efectiva do Mambo processava-se através dos seus subordinados territoriais que integravam um complexo aparelho de Estado. Esquematicamente a estrutura político administrativa pode ser representada da seguinte maneira:

Organização Politica e Administrativa
1.      Mambo: chefe supremo.
2.      Mazarira, Inhahanca e Nambuiza: três principais esposas do soberano com importantes funções na administração.
3.      Nove altos funcionários: responsáveis pela defesa, comércio, cerimónias mágico-religiosas, relações exteriores, festas, etc.
4.      Fumos ou Encosses: chefes provinciais
5.      Mukuru ou Mwenemusha: chefes das comunidades aldeãs ou das Mushas.
6.      As Mushas
O mambo possuía alguns funcionários subalternos: Mutumes (mensageiros) e os Infices (guarda pessoal do soberano – Mambo). RECAMA (2006:23)
Há que notar aqui que elegia-se Fumo a quem tivesse maior riqueza material. Depois que ficara pobre, a comunidade destituía-o através de uma cerimónia pela qual lhe eram atribuídos certos símbolos de prestígio (um bordão e um chapéu de palha). O fumo deposto passava a pertencer ao grupo dos “grandes” por mérito.
Salientar que semelhante controlo não operava ao nível dos Mambos, geralmente oriundos da aristocracia invasora descendente de Mutota, na qual a transmissão do poder se fazia por via hereditária.
Articulação entre a aristocracia dominante e as comunidades Mushas
A articulação entre a aristocracia dominante e as comunidades aldeãs encerrava relações de dominação/subordinação e exploração do homem pelo homem, materializadas pelas obrigações e direitos que cada uma das partes tinha para com a outra. As comunidades aldeãs (Mushas) sob direcção dos Mwenemushas, garantiam com o seu trabalho a manutenção e reprodução da aristocracia dominante e esta concorria para o equilíbrio e reprodução social de toda a sociedade Shona com o desenvolvimento de inúmeras actividades não directamente produtivas.
Obrigações das Mushas
– Prestar 7 dias de trabalho mensais nas machambas do Mambo;
– Construção de casas para os membros da classe dominante (ZUNDE);
– Mineração do ouro para alimentar o comércio a longa distância que garantia a importação de produtos para a sociedade Shona, os quais ascendiam a categoria de bens de prestígio (missangas, tecidos, louça, porcelana, vidros, etc).
– Pagamento de imposto em primícias das colheitas (tributo simbólico) e uma parte da produção agrícola (regular);
– Entrega de marfim, peles de animais e penas de algumas aves;
– Entrega de materiais de construção de residências da Classe dominante, como pedras, estaca, palha, etc.
Obrigações da Classe dominante
– Orientar as cerimónias da invocação da Chuva;
– Pedir aos Muzimos reais (espíritos dos antepassados reais) a fertilidade do solo, o sucesso das colheitas;
– Garantir a segurança das pessoas e dos seus bens;
– Assegurar a estabilidade política e militar no território;
– Servir de intermediário fiel entre os vivos e s mortos;
– Orientar as cerimónias mágico-religiosas contra as cheias, epidemias e outras calamidades.
Os mambos eram garantes da fecundidade da terra e depositários da ordem do território e constituíam os antídotos mais eficazes contra o caos. A sua morte significava a perda da estabilidade. Quando morria um Mwenemutapa e até a eleição do novo mambo, o poder era exercido por um personagem que usava o nome de Nevinga. Sem ser portador de qualquer atributo régio, era morto logo após a eleição de um mambo de direito.
A eleição do verdadeiro mambo, constituía motivo de festa porque se acreditava ter a ordem sido reposta com o importantíssimo papel de mambo vivo, que tamanha admiração e entusiasmo causa aos seus crédulos adoradores.
Papel das crenças mágico-religiosas ou aparato ideológico dos Mwenemutapa
As crenças mágico-religiosas sempre jogaram um papel muito importante para a manutenção do poder e da coesão social. Praticavam cultos dedicados aos espíritos dos antepassados. Existiam alguns termos que serviam para designar Deus: Mulungu, utilizado nas terras marítimas, ao longo do vale do Zambeze e a nordeste do planalto zimbabueano e Mwari a sul do planalto. Entre os Muzimu mais temidos eram os dos reis.
Esta prática regular as classes dominantes do estado dos Muenemutapas e dos estados satélites contactarem regularmente com os seus Muzimu através de especialistas médiuns designados por Pondoros ou Mondoros (leões). O Muenemutapa Matope, o segundo da dinastia declarou que o seu espírito era imortal, esse metamorfoseava num Leão, pelo que matar um Leão era considerado um crime imperdoável.
Os médiuns (Swikiros)  estavam estreitamente associados ao poder político e especialmente às sucessões. Deviam conhecer profundamente a História genealógica e na sua maioria eram estrangeiros, para assegurar imparcialidade em caso de arbitragem nos conflitos sucessórios. Os Swikiros constituíam os suportes das classes dominantes e estas as executoras das ordens dos antepassados, mortos em vida e vivos na morte.

Ciclo do Ouro No estado de Mwenemutapa
Todo esse aparato ideológico contribuía para assegurar a reprodução social Chona e das desigualdades sociais existentes. Porém, o poder dos Muenemutapas e dos mambos em geral, não advinha apenas das rendas e dos tributos que recebiam regularmente. O comércio a longa distância (ouro) era a outra fonte do poder dos mambos.
A fixação portuguesa fez-se inicialmente no litoral, com a fundação da feitoria de Sofala em 1505 e na ilha de Moçambique em 1507. Esperavam através de Sofala, controlar as vias de escoamento do ouro e do marfim em pequena escala do interior.
Muito antes da chegada dos mercadores portugueses em Moçambique, os Swahili-Árabes se encontravam na região, controlando o ouro vindo do império de Muenemutapa através do rio Zambeze até aos portos de Quelimane e Angoche. A partir de 1530, os portugueses penetraram no vale do Zambeze fundando as feitorias de Sena e Tete em 1530 e a do Quelimane em 1544. Trata-se agora de não controlar as vias de escoamento do ouro, mas sim do próprio acesso as zonas produtoras do ouro, entrando em contradição com os Swahili-Árabes.
Na sua penetração, os portugueses utilizaram a religião cristã católica, organizando assim em 1561 uma expedição missionária a corte do Mwenemutapa reinante chefiada pelo padre Jesuíta Gonçalo da Silveira com o objectivo de converter a classe dominante à religião católica tendo conseguido baptizar o Mwenemutapa e a sua família com o nome de D. Sebastião. Para os portugueses ter o Muenemutapa e a sua família baptizados serviria de trampolim para a concretização dos seus planos:
– Marginalizar os mercadores asiáticos;
– Influenciar as decisões políticas do imperador em seu benefício;
– Monopolizar o comércio do ouro;
– Promover manobras no sentido de se alargar o período que os camponeses dedicavam á produção de valores de troca (ouro) em detrimento da produção de valores de uso e consumo (agricultura).
O padre Gonçalo da Silveira é acusado de feiticeiro e é morto e como retaliação aos acontecimentos de 1561, os portugueses enviam uma expedição militar chefiada por Francisco Barreto em 1571 com o objectivo de conquistar as zonas produtoras do ouro e punir o imperador reinante. Devido a grande coesão no seio da classe dominante e as doenças tropicais explicam em grande medida a derrota que sofreram.
A primeira década do século XVII, marcou o início de uma nova era no estado dos Muenemutapas. A classe dominante encontrava-se envolvida em profundas contradições e lutas intra e interdinásticas. Gatsi-Lucere, imperador sentindo-se militarmente impotente para debelar a revolta comandada por Mathuzianye, viu-se obrigado a solicitar o apoio militar português. Como recompensa, o Muenemutapa reinante prometeu em 1607 a concessão aos portugueses de todas minas do estado.
Com a morte de Lucere, em 1627, o imperador Capranzina que representava uma facção oposta aos interesses mercantis portugueses foi deposto e substituído por seu Tio Mavura. Os portugueses baptizaram Mavura pelo nome de Filipe.
O processo do comprometimento do novo imperador culminou com a assinatura no mesmo ano (1629) do tratado, designado por tratado de Mavura que transformou o império num estado vassalo de Portugal. Por este tratado, a aristocracia de Muenemutapa ficou obrigada a:
– Permitir a livre circulação de homens e mercadorias isentas de qualquer tributo;
– A obrigatoriedade de o Muenemutapa consultar o capitão português antes de tomar qualquer decisão importante;
– Não exigir aos funcionários e mercadores portugueses a observância das regras protocolares quando recebidos por autoridades e altos dignatários da corte (descalçar os sapatos, tirar o chapéu, bater palmas, ajoelhar, etc);
– Não obrigar os mercadores portugueses a pagarem impostos inerentes a sua actividade;
– Aceitar uma força constituída por 50 soldados portugueses na corte;
– Expulsar os mercadores asiáticos do império;
– Permitir a construção de igrejas no território.
O imperador com o tratado de vassalagem deixou de representar e executar a vontade dos antepassados para agir como um simples intermediário entre os interesses do capital mercantil português e as comunidades aldeãs. Os camponeses das muchas eram obrigados a trabalharem mais tempo na mineração do ouro em prejuízo da agricultura. A fome, as epidemias, a morte de mulheres e crianças nas minas passaram a caracterizar a sociedade Shona.
O fim da presença portuguesa no império de Muenemutapa deu-se em 1693 quando Changamire Dombo, chefe de Bútua levou a cabo a uma expedição militar contra os portugueses, tendo em dois anos expulsado os portugueses e obrigando-os a atravessar o rio Zambeze e se fixarem na margem esquerda, marcando assim o fim da fase do ouro e início da fase de marfim.
Causas da decadência do império de Muenemutapa
– Fixação dos mercadores portugueses na costa;
– Lutas pela sucessão;
– Falta de um exército permanente;
– A interferência dos estrangeiros, sobretudo dos portugueses nos assuntos internos do estado;
– Invasão dos Ngunis;
– Alianças dos sucessores dos Muenemutapa reinante aos portugueses.












Índice
Introducao…………………………………………………………………………………………1
Estado de Mwenemutapa………………………………………………………………………….2
Actividades Económicas…………………………………………………………………………..2
Organização sócio-política………………………………………………………………………...3
Papel da Ideologia…………………………………………………………………………………4
Decadência do estado……………………………………………………………………………..5
Ciclo do ouro……………………………………………………………………………………...6
Conclusao…………………………………………………………………………………………7
Referencias Bibliograficas………………………………………………………………………...8





Introdução
O Presente Trabalho da cadeira de Historia ira abordar os seguintes temas: Estado de Mwenemutapa, Localização temporal e espacial do Estado, actividades económicas, organização sociopolítico, decadência do estado e papel da ideologia dentro do estado de Mwenemutapa, e o ciclo do ouro. A Pertinência do tema intitulado é de grande importância para a historia em particular de Moçambique medida em que da uma visão ampla da sua formação e ideologia. Objectivos específicos são: Conceituar o estado de Mwenemutapa, Ideologia e caracterizar a formação deste estado e as Metodologias usadas foram: Métodos de investigação científica e Métodos de pesquisa Bibliográfica.    



















Conclusão
Durante o trabalho de Campo Ficou claro que:  Por volta de 1450, o Grande Zimbabwe foi abandonado pela maior parte dos seus habitantes. O Estado de Muenemutapa é formado a partir de um movimento migratório do Grande Zimbabwe, dos povos Caranga-Chona, para a região do vale do Zambeze, na sequência da invasão e da conquista por exércitos dirigidos por Nhatsimba Mutota, ocorrida por volta de 1440-1450. Desenvolveu-se entre, os rios Mazoe e Luia, o centro de um novo Estado chefiado pela dinastia dos Muenemutapa, que dominou e subordinou a população pré-existente. A capital do império era Dande; que grupo invasor deu origem no vale do Zambeze a uma etnia denominada pelos povos locais por Makorecore,  crenças mágico-religiosas sempre jogaram um papel muito importante para a manutenção do poder e da coesão social. Praticavam cultos dedicados aos espíritos dos antepassados. Existiam alguns termos que serviam para designar Deus: Mulungu, utilizado nas terras marítimas, ao longo do vale do Zambeze e a nordeste do planalto zimbabueano e Mwari a sul do planalto. Entre os Muzimu mais temidos eram os dos reis, (Swikiros)  estavam estreitamente associados ao poder político e especialmente às sucessões. Deviam conhecer profundamente a História genealógica e na sua maioria eram estrangeiros, para assegurar imparcialidade em caso de arbitragem nos conflitos sucessórios.














Referencias Bibliográficas
RECAMA, Dionísio Calisto, Historia de Moçambique, da Africa e Universal, Plural Editores, Maputo, 2006.









Elaborado por  denisderio supeia























Trabalho de investigação de Historia: Estado de Mwenemutapa e o ciclo do ouro

                        
                                                                                  
                                                          Data; 21/03/2016

relaxando depois de um dia de grande trabalho

processo de ensino e aprendizagem. boa tarde
optima tarde., para todos vos

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Está do Zimbabwe

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estado-mwenemutapa-zimbabwe

Os Estado de Zimbabwe

O Estado de Zimbabwe existiu, aproximadamente entre 1250 e 1450.a classe dominante fez rodear as suas habitações de amuralhas de pedra conhecidos por Madzimbabwe (singular Zimbabwe). Essas amuralhadas não traduziam apenas uma ostensiva demonstração de poder, mas também tinham a função de protegê-la militarmente.
Na capital, grande Zimbabwe concentrou-se grande parte do poder político e económico. Havia aí vários recintos circundados por pedra, na planície e na colina, igualmente grande cidade de caniço, cujos vestígios arqueológicos cobrem hoje uma importante superfície.
Além do grande Zimbabwe, são conhecidos vários centros regionais igualmente circundados por muros de pedra como Manyikeni.
Situado a 50Km da Baia de Vilanculos e a 450 do Grande Zimbabwe, Manyikeni insere-se pela sua arquitectura, materiais arqueológicos e datações absolutas. As investigações mostraram que foi continuamente habitado entre 1170-1610. A construção de amuralhado data do século XIII.
Entre os séculos XVI e XVII, Manyikeni fazia parte do território de Sedanda, o qual segundo a tradição oral fora um estado satélite do Império dos Muenemutapas. Manyikeni constituía a sede de uma dinastia e entreposto comercial, controlava a Baia de Vilanculos e assegurar um rápido escoamento de mercadorias.
Entre os produtos importados por Manyikeni contavam-se missangas de vidro colorido, porcelanas, louça vidrada e finas garrafas de vidro. De possível manufactura local foram enxadas, pregos, machados, um elegante gongo, contrapesos de roca feitos de barro para fiação do algodão e consideráveis quantidades de olaria. Todos esses produtos assemelhavam-se aos dos centros regionais e aos do próprio grande Zimbabwe. Verifica-se uma relativa concentração de bens de prestígio (gongo – instrumentos muitas vezes ligados ao poder real na África central: missangas, porcelanas, lamas e vidros) reservados a classe dominante.
O abandono ou marginalização de Manyikeni, nos séculos XVI-XVII está relacionado com a implantação da autoridade político-militar portuguesa em Sofala (1505) e na Ilha de Moçambique (1507), bem como com a fragmentação do Zimbabwe nos Estados Bútua e Muenemutapa a partir do século XV.

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historiografia grega.

Historiografia Grega

Foi na antiga Grécia onde nasceu o vocábulo História, que significa investigação. Isto deveu-se a civilização e pensamento grego a formação do espírito de historiador e a consequente construção racional da sabedoria.
Até ao século V aC, a historiografia Grega era cosmogónica e mítica. A história da humanidade estava dividida em cinco idades: Idade de Ouro, Idade de Prata, Idade de Bronze, Idade dos Heróis e Idade de Ferro.
Apesar de estar associada a mitologia religiosa, muitas das vezes politeístas (pela adoração de vários deuses) o mito grego das cinco idades mostra claramente a sua evolução tecnológica, visto que o desenvolvimento da humanidade está intimamente ligado ao uso de metais e a conquista do fogo. O mito das cinco idades constitui uma visão global da história da humanidade, marcada por um acontecimento central que é a conquista do fogo pelos homens, graças a ajuda de Prometeu.
A partir do século V aC, operam-se profundas transformações na sociedade grega, pois a escrita e o saber passam a ser de domínio público, bem como o desenvolvimento das cidades-estado (polis) onde reinava o regime democrático, principalmente em Atenas, o que permitiu que houvesse debates, a argumentação e a liberdade de pensamento. Foi esta democracia que permitiu aos gregos a se entregarem na pesquisa e especulação do mundo. Aliado a isso, existia uma grande prosperidade económica derivada do trabalho dos escravos e do domínio do mar mediterrâneo como principal rota comercial.

Heródoto e Tucídides como fundadores da História

Heródoto-Tucídides
Heródoto e Tucideles
Heródoto de Halicarnanço (484-420 aC), é considerado pai da História. Com ele a História dá os primeiros passos da cientificação, já que
– A História passa a debruçar-se sobre o passado e o presente dos homens e não dos deuses;
– Inaugura uma história genética, no sentido de se perguntar não somente o que aconteceu, mas também porque aconteceu, tentando encontrar o fio condutor da causa e efeito;
– Introduziu no discurso histórico a noção de mudança, onde resulta o conceito de evolução inerente ao todo o acontecimento histórico;
– A história preocupa-se em perceber a dicotomia passado-presente;
– Heródoto não só fala e investiga a cerca dos gregos, mas também alarga a sua pesquisa ao povo Bárbaro, atingindo outras civilizações;
– Propõe não somente reconstituir os factos, mas sobretudo descobrir a razão porque se deram;
– Com Heródoto (que não se limitou a escrever sobre as guerras Pérsicas, mas foi também ao Egipto e a Mesopotâmia, sobre cuja história escreveu), há o reconhecimento do parentesco universal do Homem e se transforme num sentimento generalizado;
– Tanto Heródoto como Tucídides fazem história a partir dos testemunhos fidedignos das fontes orais espalhadas por várias divindades;
Sem ser ainda uma ciência, a história ensaia com Heródoto os seus primeiros passos na senda da cientificação. Será a História uma Ciência do geral ou do particular? Aristóteles entendia que a História era o conhecimento do particular.
Tucídides, continuador do pensamento de Heródoto, operou avanços significativos na História ao introduzir a análise e a explicação causal dos factos históricos, pois ele afastou-se das interpretações fabulosas que subsistiam em Heródoto e procurou uma inteligibilidade assente nas provas mediante uma investigação e crítica das fontes. Começa com Tucídides a História explicativa.

Característica da historiografia Grega

– A historiografia Grega é humanista, científica e autoreveladora, uma vez que procura não apenas a projecção do presente no futuro, mas principalmente ensinar com o presente a relação com o passado dos homens, objectivando mostrar o sentido dos factos humanos;
– A historiografia grega é pragmática, pois procura obter do ocorrido uma lição proveitosa para o futuro.

Limitações da historiografia Grega

– Foi limitada no tempo: o recurso documental restrito a tradição oral e os testemunhos oculares limitou o âmbito cronológico da história grega;
– Foi limitada no espaço, uma vez que centrou o seu estudo às costas do mediterrâneo dando assim um carácter regional.
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